sábado, 20 de março de 2010

Google TV

Parceria entre Google, Intel e Sony para criação de aparelho que combina TV e internet surpreende mercado, mas levanta mais dúvidas que certezas.

O Google, a Intel e a Sony formaram um consórcio para produzir uma plataforma de conteúdo web para a sala de estar. O resultado?  Google TV. A nova plataforma se materializará como set-top box ou como um recurso de TVs com conexão à internet; funcionará com o sistema móvel do Google, o Android; e incluirá uma versão do navegador Chrome para uso em aplicações como Twitter ou Picasa, informou em 17/3 o The New York Times.

A ideia por trás da Google TV, afirma o jornal, é alimentá-lo com aplicações como as dos smartphones, que tornem o uso da web na TV tão fácil quanto mudar de canal. O Google espera encorajar desenvolvedores a criar apps para a Google TV da mesma forma que tem feito com o smartphone Android.

Dentro de alguns meses o Google vai fornecer um kit de desenvolvimento para a Google TV, e o jornal diz que as primeiras aplicações surgirão já em meados de julho. Não está claro como essas aplicações serão distribuídas, mas provavelmente o Google vai oferecer algum tipo de loja online – como a que existe para os smartphones com Android.

O domínio da sala de estar é tido como o Santo Graal das empresas de tecnologia. Há muitas set-top boxes no mercado que oferecem vídeo streaming do YouTube, acesso a filmes  alugados via download e navegação na web – os três principais consoles de jogos (Xbox 360, PlayStation 3 e Wii) são provas disso, bem como os gravadores digitais da TiVo, o Apple TV e o set-top box Roku.

Nenhum desses produtos, no entanto, conseguiu conquistar uma base de usuários grande o suficiente para ser declarado o rei da sala de estar, capaz de exibir conteúdo online e físico, como DVDs, em um só lugar. Será que o Google é capaz de se dar melhor que seus concorrentes, e dominar os lares com a Google TV? Talvez. Mas, antes de isso acontecer, será preciso encontrar respostas a algumas questões – e elas não param de surgir.

1. O que é afinal a Google TV: uma plataforma ou um produto?
Como o Google virou parceiro da Sony, é razoável assumir que os primeiros set-top boxes e as primeiras TVs virão com a marca Sony. Mas não é do estilo do Google amarrar-se a um único fabricante. Quanto tempo levará até que outra empresa inclua o Google TV em seus produtos? A Google TV será exclusiva dos produtos da Sony, ou veremos o recurso em outros fabricantes, como LG, Samsung e Panasonic?

2. Navegação na web pela TV funciona?
Set-top boxes que jogam videogames, exibem vídeos, apresentam fotos e tocam música são grandes ideias, mas e o resto da web? O fato é que as pessoas costumam visitar blogs, redes sociais e novos sites, todos com uma boa dose de texto.

Mas é costume sentar-se a pelo menos um metro e meio da TV da sala, o que tornará qualquer leitura desconfortável. Qual é a probabilidade de as pessoas usarem a TV para tuitar ou trocar mensagens instantâneas? Há muitas tentativas fracassadas de levar a web para a sala de estar, e uma das principais razões dessas falhas é que há algo de artificial em navegar na web numa tela distante quase dois metros de seus olhos.

Uma solução possível seria tornar seu Nexus One, iPhone ou mesmo iPad em uma tela remota. Imagine visitar uma página em seu dispositivo móvel  e vê-la exposta na tela da TV. Dessa forma seria possível ler uma notícia no dispositivo móvel e assistir ao vídeo que a acompanha na tela grande. Isso sim seria uma combinação de matar.

3. Haverá Netflix?
Aparelhos compatíveis com o sistema de aluguel de vídeos online Netflix são um grande sucesso. Já é possível comprar (nos EUA) TVs e set-top boxes com acesso ao Netflix produzidos por grandes marcas, como LG, Panasonic, Sony, Samsung e Vizio. E o Android, também vai oferecer este serviço? O Netflix até poderia produzir sua própria aplicação para a Google TV com o kit de programação que será liberado. Mas talvez a empresa prefira uma integração mais sólida e não ser mais uma aplicação entre tantas outras que deverão compor o mercado de apps para a Google TV.

4. A Google TV terá Bluetooth?
Google, Sony e Intel afirmaram ter combinado com a Logitech a produção de periféricos para a Google TV, tais como um controle remoto e um pequeno teclado. Não está claro como os aparelhos da Logitech vão se conectar com o set-top box, mas Bluetooth parece fazer mais sentido. Se for esse o caso, resta perguntar: poderemos usar teclados Bluetooth padrão (ou mesmo um mouse) com a Google TV, ou a nova plataforma só funcionará com aparelhos da Logitech?

5. Como vai funcionar a publicidade na Google TV?
O New York Times informa que a principal motivação do desenvolvimento da Google TV é “assesugar que seus... sistemas de busca e publicidade tenham um papel central”. Será que isso significa que só veremos a publicidade tradicional do Google do jeito que ela aparece na web? Ou os anúncios serão entregues às aplicações da Google TV, possivelmente até durante a navegação na web? Veremos, por exemplo, anúncios do Google debaixo dos vídeos do Hulu ou do site do New York Times? Já existe muita invasão publicitária, tanto na televisão como na web. O Google TV vai melhorar ou piorar essa situação?

Essas são apenas algumas das questões que podem ser levantadas. O que você pensa de ter o Google em sua sala de estar? Será que dessa vez dará certo? Ou o Google TV será mais um da longa lista de experiências que tentaram levar a web para a televisão?



fonte: http://idgnow.uol.com.br/computacao_pessoal/2010/03/19/google-tv-5-perguntas-sobre-a-plataforma-web-para-a-sala-de-estar/